NOTA DE PROTESTO PELA DEMOLIÇÃO DA CASA DO AGENTE DA RFFSA

Caros quixadaenses.
Dia 19 de abril de 2008, será lembrado como uma data triste para a História de Quixadá. Neste dia um trator demoliu a casa do agente da RFFSA, que foi construída em 1891. Em nome do “progresso”, foi destruída uma edificação que fazia parte da paisagem urbana da cidade, para dar lugar a um novo prédio comercial.
Mesmo abandonado e em estado de depreciação, o imóvel fazia parte de um projeto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), de revitalização da área, juntamente com os prédios do armazém e da estação. Algo de conhecimento de toda a população, revestindo a ação de uma condição ainda mais grave e suspeita.
Ações como essas merecem e devem ser repudiadas por pessoas e entidades que compreendem a importância da preservação do patrimônio natural, histórico, artístico e cultural de uma cidade.
De nada adiantará o desenvolvimento econômico, se o preço for a destruição dos objetos, imóveis e costumes de nosso passado.
Será triste e patética a modernidade que aspiramos, se ela imitar outros modos de vida, ocultando nossas origens e cultura. Algo como um cearense tentando imitar o sotaque paulista ou carioca para parecer melhor aos olhos dos outros.
Teremos um futuro obscuro se pleitearmos a universalidade, esquecendo de cantar a nossa aldeia, a nossa cidade e seu povo.
Portanto, as entidades e pessoas abaixo-assinadas querem expressar seu protesto contra este crime histórico e fazer as seguintes reivindicações:
a) Imediata abertura de investigação, por parte do IPHAN, para apurar responsabilidades e tomar medidas judiciais cabíveis que evitem outras ações danosas ao patrimônio de Quixadá;
b) Início imediato das obras de revitalização e uso social do Armazém e da Estação da RFFSA, por parte do Governo Federal e do IPHAN;
c) Início das obras de revitalização do Açude do Cedro, por parte do Governo Federal, IPHAN e DNOCS;
d) Formação de um grupo de trabalho, com representantes da sociedade civil, para um imediato levantamento dos prédios e bens naturais que devam ser tombados pela Prefeitura Municipal de Quixadá;
e) Realização imediata de um seminário sobre Ação Educativa Patrimonial para os professores da rede municipal e estadual de Quixadá, por parte da Secretaria Municipal de Educação e da CREDE-12, com a assessoria do curso de História da FECLESC/UECE.

Todas essas reivindicações, entretanto, serão inócuas se a sociedade civil não se organizar para vigiar e pressionar os agentes públicos a cumprirem com suas obrigações.

Quixadá, 24 de abril de 2008.
Assinam:
SINDSEP; CENTRO ANTÔNIO CONSELHEIRO; FECLESC; ASSOCIAÇÃO DE FAMILIARES E AMIGOS DE QUIXADÁ; INSTITUTO DE CONVIVÊNCIA COM O SEMI-ÁRIDO; ASSOCIAÇÃO DE TEATRO AMADOR DE QUIXADÁ; ASSOCIAÇÃO DE CINEMA E VÍDEO DE QUIXADÁ; UNITACE; CREA-CE; ASSOCIAÇÃO DE MÚSICOS DO SERTÃO CENTRAL, SINDICATO DOS COMERCIÁRIOS; UMES; UNIÃO MUSICAL ALTERNATIVA DO SERTÃO CENTRAL – UNIMASC; AJE - ASSOCIAÇÃO DOS JOVENS EMPRESÁRIOS DE QUIXADÁ


"O Torto" manifesta sua solidariedade ao protesto e coloca o espaço aberto para quem quiser assinar ou manifestar sua posição neste caso. Mande um e-mail para reginaldo13barbosa@yahoo.com.br ou clique em comentário no final desta matéria que publicaremos sua opinião.

Opinião
Trata-se de uma intervenção cruel e insensata e cabe, no caso em tela, uma ação do Ministério Público para apurar responsabilidades.Registro o meu veemente protesto e me solidarizo de pronto com as entidades signatárias do manifesto.
Prof. Gilberto Telmo Sidney Marques, ex-diretor da FECLESC, ex-Secretário de Cultura de Quixadá,ex-secretario de Comunicação de Quixadá, cidadão quixadaense e detentor da Medalha Ampérico Barreira concedida pela Câmara Municipal de Quixadá.

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