TENTATIVA DE CALOTE ACABA EM PROTESTO EM QUIXADÁ

PROTESTO FECHA ACESSO À USINA DE BIODIESEL
Fornecedores e trabalhadores se uniram na manhã de ontem em protesto contra empreiteira que presta serviço na usina de biodiesel da Petrobras (Foto: ALEX PIMENTEL)

DÍVIDA DE EMPREITEIRA LEVA DISTRIBUIDOR DE CIMENTO A INTERDITAR O MOVIMENTO DE VEÍCULOS NA USINA DE BIODIESEL
Caminhões bloqueando a entrada. Comerciantes, empregados, operários e até clientes de braços cruzados. Aparentava ser mais uma greve na porta da unidade da Petrobras em Quixadá, a 170Km da Capital. Mas era um protesto contra o calote de uma das empreiteiras da quarta maior produtora de petróleo do mundo. Há quase um ano a Intecnial S/A não paga o restante das dívidas que tem com fornecedores deste município e direitos trabalhistas de profissionais terceirizados na usina.

Os dois protestos foram realizados na manhã de ontem. O movimento se fortaleceu com a união de fornecedores e trabalhadores. Houve congestionamento na entrada do pólo de biocombustível. Nenhum veiculo entrava e nem saía. Caminhões com matéria-prima ficaram enfileirados na CE-368 (BR-122). O acesso só foi permitido quando um grupo formado pelos empresários e empregados foi recebido pela direção da Petrobras.

Da parte dos comerciantes de Quixadá, a iniciativa partiu do sócio-proprietário da Mais Cimento, Mailton Avelino da Silva. Segundo ele, a Intecnial S/A deve R$ 35 mil à sua distribuidora. Uma sub-empreiteira dessa empresa deve mais R$ 8 mil. Cansado de aguardar quase um ano pela quitação do débito, resolveu realizar o protesto. Ao saber da visita do presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, à usina, não pensou duas vezes. Aprontou um bolo e foi para a porta da usina, acompanhado de amigos.

Ao invés de xingamentos e sapatos, foi a maneira que resolveram utilizar para demonstrar a indignação diante da postura da Petrobras sobre o problema. Eles queriam dar uma fatia do “bolo” que levaram da empreiteira ao presidente da estatal. O investimento havia chegado ali com a promessa de prosperidade para a economia regional por meio do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Ao invés disso, ele e outros sete fornecedores amargam prejuízos.Quando Mailton resolveu bloquear o acesso à usina, com o apoio dos trabalhadores que haviam acabado de paralisar os serviços, a comitiva de visitantes já estava dentro da unidade. Ao invés de Gabrielli, o presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rossetto, e sua equipe eram recepcionados pela direção da unidade de Quixadá. Enquanto faziam uma visita institucional, o diretor geral da usina, João Augusto Paiva, e o engenheiro da empreiteira, Cláudio Freire, negociavam com os dois grupos.

Os trabalhadores tiveram assegurado o pagamento dos 30% de periculosidade, retroativo a agosto do ano passado, a partir do dia cinco do próximo mês. Também ficou firmado que nenhum dos 40 funcionários será demitido.Após comemorarem a conquista, partilhando o bolo feito especialmente para a Petrobras — em forma de um tambor de óleo com o fundo furado — retornaram ao serviço.

Quanto aos fornecedores, deverão retornar hoje à tarde à usina da Petrobras. O prazo foi solicitado para a realização do levantamento real da dívida. Os credores deverão receber uma proposta definitiva sobre o acerto das contas. A liberação de um aditivo, cujo valor não foi informado, viabilizará a quitação dos débitos. Caso o acordo não seja cumprido, os comerciantes pretendem bloquear novamente o acesso à usina da Petrobras.
De acordo com os credores, o atraso chegou a mais de R$ 700 mil. Do fornecedor de cimento foram R$ 105 mil. A maior parte já foi paga, mas Maílson diz que não dispensa nem um tostão.

Alex Pimentel
Colaborador

IMPACIÊNCIA
"São reivindicações justas. Estamos intermediando uma solução. Em
breve as dívidas serão quitadas"
João Augusto Paiva
Gerente da Petrobras Quixadá

"Reivindicamos direitos de qualquer profissional que trabalha em áreas de risco"
Wladimir Cáceres
Mecânico da Intecnial

"Paciência tem limite. Estamos cansados. O jeito foi bloquear a porta da Petrobras"
Mailton da Silva
Proprietário da Mais Cimento

HÁ DOIS ANOS HOUVE PRIMEIRA MANIFESTAÇÃO
Em novembro de 2007, cerca de 450 operários da construtora gaúcha que trabalhavam na construção da usina de Quixadá chegaram a cruzar os braços. Exigiam o a pagamento de salários e horas extras atrasados. O impasse foi resolvido graças à interferência da Petrobras. A obra ficou parcialmente paralisada por dois dias. A manifestação não atrapalhou o cronograma do empreendimento de R$ 76 milhões. A usina foi inaugurada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, no dia 20 de agosto do ano passado.

Mais informações:
Unidade de Biocombustíveis de Quixadá - (85) 3266.3900

Fonte: Diário do Nordeste

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