O CEARÁ FICA MAIS TRISTE, MAIS SOMBRIO E MAIS POBRE



PERDAS IRREPARÁVEIS

Nas últimas semanas o estado do Ceará foi abalado com as perdas irreparáveis de vidas humanas preciosas que se destacavam no campo da ciência, da cultura e da educação. E, mesmo caindo no lugar comum, arriscamo-nos a afirmar que o Estado ficou mais triste, mais sombrio e mais pobre.
Referimo-nos, inicialmente, ao desenlace do prof. Ícaro de Sousa Moreira, nosso colega professor de química e reitor da querida Universidade Federal do Ceará. Ícaro teve uma passagem meteórica pela reitoria de apenas dez meses. Mas esse tempo foi suficiente para comprovar seu comprometimento com a instituição e sua dinâmica inovadora. Era um apaixonado pela interiorização da UFC. No seu curto reitorado visitou por três vezes cada centro avançado da UFC em Sobral, Quixadá e no Cariri. O melhor testemunho de sua relação com a comunidade da UFC foi dado pelas inúmeras manifestações de pesar dos centros acadêmicos através de jornais e da própria Rádio Universitária.
Na seqüência de eventos dolorosos, aconteceu o passamento do diretor presidente do jornal O POVO, jornalista Demócrito Dummar. Sobre a sua morte assim se manifestou o editor sênior Waldemar Menezes: “Há momentos na vida em que a realidade não cabe nos parâmetros dos que são obrigados a conviver com ela. E é justamente um desses momentos que chegou agora para O POVO, ao ter de anunciar a morte de seu presidente, o jornalista Demócrito Dummar”.
Demócrito era o sucessor de uma família que ao longo de oitenta anos manteve em circulação um jornal plural, acolhedor de idéias as mais diversas e, quem sabe, o último bastião da liberdade de imprensa no Ceará. O jornal O POVO, diga-se de passagem, é o único do Ceará e um dos pouquíssimos periódicos do Brasil que mantém um ombudsman com plena garantia de emprego durante todo o seu mandato. O POVO é também o único jornal do país que edita um caderno especial de grande significado, feito por seus leitores, escritores bissextos como nós – O JORNAL DO LEITOR.
Sob a direção de Demócrito Dummar a empresa o POVO se expandiu com o advento de emissoras de rádio conveniadas com a CBN e, mais recentemente, com uma emissora de televisão educativa, a TV O POVO.
No início do mês, precisamente no dia primeiro de maio, mais uma lamentável perda. Desta vez foi a UECE e de modo particular, a Faculdade de Educação de Crateús – FAEC- que perdeu seu vice-diretor, o prof. Luís Palhano Loiola. Loiola era professor doutor e segundo nota divulgada no site da UECE (http://www.uece.br/) estava em fase de extraordinária produção intelectual desenvolvendo projetos para a FAEC e cidades da região de Crateús, voltados para a formação educacional da juventude, despertando-a para a conquista da cidadania.
Na madrugada de hoje, dia 07 de maio recebemos por e-mail a notícia do trágico acidente que vitimou o professor Nilton Cezar Batista da Silva que exercia o magistério na Faculdade de Educação, Ciências e Letras do Sertão Central – FECLESC.
Conhecemos Nilton Cezar por ocasião de um vestibular que coordenamos na FECLESC. Registramos na memória uma conversa informal sobre língua e literatura latinas, desde as declinações, passando pelas fábulas de Fedro até chegarmos a comentários sobre a obra De Bello Gallico do general Júlio César. Era afável no trato e tinha na ocasião um sorriso espontâneo. A nossa conversa transportou-nos, através do túnel do tempo, em delicioso passeio até a nossa remota infância vivida no colégio dos padres salesianos de Baturité. Foi uma manhã nostalgicamente enriquecedora. Depois daquele dia submetemo-nos a uma cirurgia e ficamos impossibilitado de trabalhar na segunda fase do último vestibular da FECLESC. Fomos assim privado da possibilidade de conviver um pouco mais com Nilton Cezar e aprender um pouco mais com ele. Nunca mais o encontramos.
Na madrugada de hoje, como já relatamos, fomos surpreendido pela notícia da fatalidade. Conhecemos os pormenores do acidente que vitimou Nilton Cezar através do site Central de Notícias.
De todas as perdas relatadas, o falecimento de Nilton Cezar parece-nos doer mais por conta da impressão que nos causou e, sobretudo, pela grande lacuna que vai deixar na instituição que nos é muito cara, que faz parte de nossa vida e à qual dedicamos nossos melhores anos: a imortal FECLESC.
Registramos aqui nosso imenso pesar pelo falecimento de Nilton Cezar e estendemos votos de solidariedade a sua família e a grande família da nossa querida FECLESC.
Gilberto Telmo Sidney Marques
Prof. Adjunto da UECE

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