CARTA ABERTA AO PREFEITO ILÁRIO MARQUES: ENTRE O DISCURSO E A PRÁTICA, A CONTRADIÇÃO!

"O PT está acomodado e não contribui com os rumos do Ceará. O PT é um partido das idéias e não da acomodação, da conveniência e do fisiologismo", frases do prefeito Ilário Marques em declarações ao jornal O POVO do dia 27/02/2008

MEU CARO PREFEITO ILÁRIO MARQUES
Como alguém que há dezesseis anos o acompanha em todos os eventos politico-eleitorais e teve o privilégio de participar, como ator, do movimento que garantiu sua memorável eleição em 1992, gostaria de estar nesse momento congratulando-me pela indicação natural e justa de Cristiano Goes como seu candidato a candidato do Partido dos Trabalhadores a sua sucessão na PMQ.

Lamentavelmente tal não ocorreu. E, da minha parte, não há o que comemorar.

A sua sucessão, prefeito Ilário, nunca foi uma prioridade para você ao que tudo indica. Em 1996, a escolha equivocada de Fernando Barros em detrimento de Luis Odorico, trouxe sofrimento no período eleitoral, frustração na apuração e desencanto ao longo dos quatro anos da desastrosa administração do Dr. Mesquita.

Na condição de secretário de comunicação coube-me a responsabilidade de coordenar, embora de maneira amadorística, a propaganda eleitoral. Fiz o que pude na montagem do programa eleitoral. Defendi a administração de todos os ataques desferidos pelos adversários. Nossos esforços foram vãos. O desastre foi consumado.

Agora, não haveria sofrimento. Dificuldades, possivelmente sim. Mas, o nome Cristiano Goes é leve e, com o seu prestígio e o seu comprometimento efetivo, prefeito, certamente ele seria vitorioso.

É evidente que a vitória é importante. Eu diria fundamental para a continuidade de um projeto político iniciado por você com insofismável competência. Na era Ilário Marques ocorreu uma revolução extraordinária em Quixadá. Esse é seu grande mérito. Você Ilário é o grande comandante dessa revolução.

Mas, por dever de justiça, me cabe lembrar-lhe que outros atores contribuiram para a grande transformação sofrida pelo município na era Ilário Marques. E a contribuição desses atores remonta aos idos de 1992 quando eles emprestaram alegria, otimismo, entusiasmo a sua campanha, ingredientes fundamentais e decisivos para aquela vitória sofrida e suada.

A derrocada da oligarquia dominante, prezado Ilário, não é mérito exclusivo seu. Entre aqueles que construíram essa conquista quixadaense estava, na liderança firme do Comitê Universitário, o seu atual vice-prefeito Cristiano Goes.

Na minha casa você esteve, antes da posse, para me informar que eu não ocuparia cargos na sua administração, mas o Cristiano Goes seria seu Secretário de Cultura. Naquela noite fui dormir duplamente confortado: pela sua sinceridade ao me dizer pessoalmente que eu não iria ocupar cargos que nunca pleiteei e pela consideração especial de escolher um amigo muito precioso para o cargo de secretário de cultura que eu já ocupara na administração anterior.

Naquela hora eu tinha absoluta certeza de que Cristiano desempenharia suas funções até com mais competência que eu e iniciaria uma carreira política pautada pela honestidade. Essa garantia eu adquirira na convivência com ele na FECLESC, nas lides políticas, na militância. Afastado da atividade política eu retornara juntamente com ele e Rinaldo Roger apoiando Leonel Brizola para o qual carreamos cerca de seis mil votos naquela eleição.

Não preciso falar sobre seu desempenho como secretário de cultura. Não preciso falar também, de sua atuação como presidente da câmara municipal de Quixadá e nem como vice-prefeito. Você sabe melhor que eu.

A notícia de sua opção me deixou perplexo. E, acredite Ilário, apesar de distante do cenário político de Quixadá recebi alguns telefonemas de pessoas que expressavam para mim a sua indignação. Estive com Cristiano. Estou solidário com ele.

Mesmo distante das lides partidárias, mesmo considerando que meu peso político específico em Quixadá é insignificante, como cidadão me arvoro o direito de espernear.

E o faço com a autoridade de quem também, por seu intermédio, serviu a esse município com honestidade e dedicação. Estive na administração NOVO TEMPO com as funções simultâneas de diretor de compras, diretor de arrecadação, presidente da comissão de licitação da PMQ e presidente da comissão de licitação do PROURB. Fui quatro em um e ganhava menos da metade de um secretário. Depois fui secretário de comunicação, no período eleitoral.

Faço-o também pela lealdade que sempre devotei a você nesses dezesseis anos. Acompanhei você em todos os momentos. Até no seu acidente quando você nem percebeu minha presença no IJF ao lado da ambulância que o transportaria para o Hospital da UNIMED, onde esstive algumas vezes. Outras tantas vezes você não se deu conta que estive presente nos seus comícios e trabalhando dia e noite na semana que antecedia as eleições e no dia como fiscal enfrentando as provocações dos adversários.

Agora registro aqui meu desencanto com toda a sinceridade que sempre caracterizou nosso relacionamento.

A meu ver a sua intervenção visou exclusivamente a eleição e não a continuidade de um projeto para Quixadá. Com Cristiano você teria a garantia da lealdade e da continuidade. Na sua ausência ele demonstrou fidelidade e competência política e administrativa. Não conheço, porque nunca vi, o candidato de sua preferência. Não posso expedir juizo de valor sobre ele. A pesquisa registra baixa rejeição para ele? Elementar, meu caro Ilário. Como pode ter rejeição alta alguma pessoa que nunca teve que contrariar interesses?

Leia a frase que antecede essa carta:

"O PT está acomodado e não contribui com os rumos do Ceará. O PT é um partido das idéias e não da acomodação, da conveniência e do fisiologismo", frases do prefeito Ilário Marques em declarações ao jornal O POVO do dia 27/02/2008

Não acredito que você tenha feito sua opção apenas por conta de uma pesquisa. As pesquisas de opinião refletem um momento do processo. Não são estáticas e nem apresentam números definitivos. Na sua campanha de 1992 você saiu de um terceiro lugar para o segundo e acabou ganhando a eleição. Se a pesquisa foi seu referencial, você não acredita nem no seu capital eleitoral, nem na sua capacidade de transferir votos.

Leia aqui o que você ditou para o repórter Vicente Gioielli, do jornal O POVO em 27/02/2007:

Ilário fez questão de ressaltar durante discurso que a Prefeitura esteve "em boas mãos", durante sua ausência. "O Cristiano Góes (vice-prefeito) soube tocar muito bem o barco", disse.

O meu temor, Ilário, é que Quixadá sofra um novo retrocesso onde as práticas paternalistas e os costumes políticos equivocados possam destruir tudo aquilo que você, Cristiano, Rachel, Edy e outros construiram ou reconstruiram ao longo desses últimos oito anos.

Desta vez não posso acompanhá-lo meu caro Ilário. Lamentavelmente rompem-se agora os nossos laços políticos. Eu fico com o Cristiano em que pese a minha insignificância política. A ele empresto toda a minha solidariedade impregnada de perplexidade e indignação. Permita-me dizer da minha apreensão de que Quixadá possa sair perdendo desta vez, seja qual for o resultado dessa eleição.
Fique tranquilo, prefeito Ilário, em nenhum momento me passa pela cabeça a possibilidade de apoiar qualquer dos outros candidatos. Seria uma indignidade.
Fico com a minha consciência incômoda. Como nada é definitivo quem sabe um dia possamos nos reencontar.

Gilberto Telmo Sidney Marques

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